Crianças E Adolescentes De Todo O Mundo: Qual Sua Qualidade De Vida?

Crianças E Adolescentes De Todo O Mundo: Qual Sua Qualidade De Vida?

 

A UNICEF acaba de publicar o relatório de um estudo realizado acerca da vida e do bem-estar das crianças e adolescentes (até aos 15 anos) nos países economicamente mais avançados (21 países da OCDE em análise). A perspectiva subjacente é a de que "a verdadeira medida do estado de uma nação reside na forma como consegue dar resposta às suas crianças - a sua saúde e segurança, a sua segurança material, a sua educação e socialização, e o seu sentido de ser amada, valorizada e incluída nas famílias e nas sociedades nas quais nasceram".(in relatório).

Ao todo, 6 dimensões da vida das crianças foram consideradas no estudo: Bem-estar material, Saúde e Segurança, Bem-estar educacional, Relações com a Família e com os Pares, Comportamentos e riscos e Bem-estar subjectivo. Dentre as principais descobertas do estudo, destacam-se as seguintes:

  • A Holanda foi o país que obteve melhor classificação em média nas 6 dimensões: 4,2.
  • Os países europeus dominam a primeira metade das classificações, destacando-se os países do Norte da Europa nos primeiros 4 lugares;
  • Todos os países têm uma dimensão na qual estão mais fracos e que precisam melhorar;
  • Os EUA e o Reino Unido encontram-se nos últimos 3 lugares em 5 das 6 dimensões;
  • Não existe uma relação óbvia entre os níveis de bem-estar da criança e o Rendimento per capita.

Na área da Educação, os países que lideram o ranking são a Bélgica e o Canadá, enquanto que os últimos lugares são ocupados pela Grécia, Portugal, Itália e Espanha. Na área das relações familiares e com os pares, a Itália esta em primeiro lugar e Portugal detém o segundo lugar.

Nas conclusões do relatório, destacamos as que nos parecem mais pertinentes:

Parece existir uma relação significativa entre algumas das dimensões. Por exemplo, a Pobreza afeta muitas das dimensões de bem-estar das crianças, nomeadamente a saúde, o desenvolvimento cognitivo, o desempenho escolar, as aspirações, os comportamentos de risco, a auto-percepção, as relações sociais e as perspectivas de emprego.

Mais do que dar destaque ao ranking final, e porque o todo é muito mais que a soma das partes, importa que os países procurem desenvolver estratégias multidimensionais, uma vez que o bem-estar das crianças é também ele multidimensional.

Acima de tudo, o que se procura é saber se as crianças se sentem amadas, protegidas, especiais, e apoiadas dentro da sua família e da sua comunidade, além de saber, também, se a família e a comunidade estão apoiadas pelas políticas públicas e seus recursos.

O estudo não pode ser considerado completamente preciso, até pela dificuldade em traduzir estas questões em números e tabelas. Por outro lado, há que ter em conta também às diferenças de cultura, usos e costumes de cada país. O estudo pretende ser apenas um ponto de partida. Uma vez reconhecido que os problemas sociais, econômicos, ecológicos dos nossos dias estão afetando a qualidade de vida das crianças, os diversos países deverão agora lançar mão à obra para melhor compreender, controlar e direcionar o que acontece às crianças nas suas idades mais vulneráveis, e atuar em consonância com estas necessidades.